Bíblia, cinturão verde e Lei do ar puro
Bispo Agnaldo Sacramento
É realmente notável que o primeiro povo a praticar o Constitucionalismo, os hebreus(1.350 a. C.), como disse Kal Loewenstein, tinha uma visão de cuidar da qualidade de vida dos moradores de 48 cidades , sendo seis cidades de refúgio, para crimes não dolosos: “das cidades, pois, que darei aos levitas haverá seis cidades de refúgio, as quais dareis para que o homicida ali se acolha; e, além destas, lhes dareis quarenta e duas ...
cidades”. O mesmo livro de Números (capítulo 35) diz que estas cidades, logo após a sua muralha numa faixa de 500 metros de largura, seria “para os seus gados, para a sua fazenda, e todos os seus animais”. A partir do muro da cidade, mediam-se cerca de 500 metros ( uma “Reserva Legal”), uma medida exata que se iniciava da muralha, na direção norte, sul, leste e oeste, formando um perfeito quadrado. E pelo versículo 5 (cinco), visualiza-se uma nova área, em hebraico, (migrásh), que Luis Alonso Schokel traduz como “Campo livre fora da cidade: prado, pradaria, Logradouro”. O citado texto diz: “E de fora da cidade, da banda do oriente, medireis mil metros, e do sul, do ocidente, e do norte”, e a cidade estaria no meio.
Diante da declaração “E de fora da cidade”, crê-se que isso pode significar uma
nova ou segunda medida a partir do muro da cidade, o que seria uma primeira
interpretação; uma segunda, mais pontual, com a expressão “e de fora da cidade”,
alcançará uma medida que partiria do final dos primeiros 500 metros. Assim, da muralha da
cidade até ao seu final, implicaria, no seu total, uma distância de 1500 metros, o
equivalente a 1000 côvados mais 2000 côvados.
Moshe Grylak, na sua autoridade de Rabino e intelectual, autor de doze livros em vários idiomas e profundo mestre da Torá, a Lei de Moisés, assim comenta sobre “o Cinturão Verde e a Lei do Ar Puro”, do seu povo hebreu: “De acordo com o texto, o segundo cinturão era destinado ao cultivo que abasteceria a cidade de produtos agrícolas diversos. Mas o cinturão interior não deveria ser cultivado. Estes mil cúbitos (quase meio quilômetro) que cercavam todas as cidades por todos os seus lados eram muito interessantes: “Terreno: espaçamento. Local liso ao redor da cidade. Para embelezar a cidade. E não há permissão para lá construir casa, plantar pomar e nem semear” (Rashi, de acordo com o Talmud).
Hoje, as Constituições Modernas e suas leis infraconstitucionais enfatizam muito a preocupação com a preservação do Meio Ambiente tomando algumas medidas de ação.
Drauzio Varella, no seu artigo “A destruição da floresta”, publicado na Folha de
S.Paulo (28/05/05), diz: “Nossos netos ficarão ricos se conseguirmos preservar a floresta
amazônica. Pode parecer, mas não acho que seja exagero: daqui a 50 anos, que país terá
matas primárias da extensão das que ainda nos restam? Num mundo cada vez mais urbano
e de áreas verdes minguantes, quanto valerão a biodiversidade, a imensidão dos rios e o
enorme potencial científico e turístico de uma Amazônia intacta?”
Como observa Varella: “Num mundo cada vez mais urbano”, percebe-se a galopante
redução de áreas verdes. Quanto ao povo hebreu, no espírito de um Meio Ambiente
ecologicamente equilibrado, o Cinturão Verde, que era o primeiro destinado também à
criação de gado e ovelhas, constituía-se em um grande recurso ecológico. E, mesmo o
segundo campo aberto, destinado a cultivo de vinhedos, oliveiras e outros, reforçava o
Cinturão Verde e a Lei do Ar Puro.
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