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Dois momentos do lembrar de Deus

Bispo Agnaldo Sacramento      

Deparamo-nos sempre com a declaração bíblica de que “Deus se lembrou” de algum compromisso da sua parte. Assim, vêm, à tona, declarações como as que se seguem: “lembrou-se Deus de Noé” (Gênesis 8:1), “me lembrarei do meu concerto” (Gênesis 9:15), “Deus se lembrou de Abraão” (Gênesis 19:29), “lembrou-se  da sua aliança com Abraão, com Isaque e com Jacó” (Êxodo 2:24). E, em outro sentido, “e dos teus pecados não me lembro” (Isaías 43:25).    
 Dentro de um contexto meramente humano, vem a curiosidade de saber como é realmente o “lembrar” de Deus? Em que tempo ou momento ocorre ou pode acontecer o “lembrar” de Deus?
O primeiro momento do “lembrar” de Deus é quando Ele se desperta para agir, para fazer alguma coisa como na primeira lembrança citada em relação a Noé, embora Ele o faça de uma maneira  peculiar que o nosso espírito humano não entende.
A Bíblia diz, em Gênesis, que Noé achou graça aos olhos de Deus, era um varão justo e reto e  andava com Deus (Gen. 6:8-9). Deus faz aliança com ele (Gen. 6:18) e o manda construir uma arca, uma barca gigantesca para abrigar cerca de sete mil tipos de animais e lhe ordena: “Entra tu e toda a tua casa na arca” (Gen 7:1). Em seguida, vem muita chuva e “as águas prevaleceram excessivamente sobre a terra 150 dias” (Gen. 7:19 e 24 ).
Percebe-se, inicialmente, que Deus ficou em silêncio em relação a Noé durante cinco longos meses. Deus gosta de relacionar-se com o homem, todavia, não obstante mortas todas as pessoas da terra por força do dilúvio, nesse período, Deus não deu nenhum “alôzinho” para Noé, não mandou nenhum “e-mail”, “torpedo” ou “msn”. Parecia que Noé estava com um celular sem nenhum sinal. Ora, 5 meses com chuva, dia e noite, deve ser algo altamente estressante e depressivo no meio de uma bicharada em apartamento!
De modo surpreendente, Deus se apresenta no relato de Gênesis: “E lembrou-se Deus de Noé, e de todo animal; e fez passar um vento sobre a terra” (8:1). Assim é que, depois que a arca pousou “sobre os montes de Ararate” (v.4), “ao cabo de 40 dias, abriu Noé a janela da arca” (v.6). Tem-se, aí, o acréscimo de um mês e mais 10 dias! No verso 7, solta um corvo (heb, ’orev’), “que saiu, indo e voltando”... “Depois, soltou uma pomba” (heb. ‘ionah’) e a pomba voltou” (vs.8-9). O verso dez diz: “E esperou ainda outros sete dias e tornou a enviar a pomba”. Finalmente, vem a esperança de “uma folha de oliveira no bico”! O verso 12 relata novamente: “esperou ainda outros sete dias e enviou fora a pomba, mas não tornou mais a ele”. O versículo 13 registra que, no ano 60l, “Noé tirou a cobertura da arca”. Aleluia: grande bênção, grande livramento, início de uma abertura! E só no segundo mês “a terra estava seca”, verso 14. Ora, confrontando o capítulo 7:11 ( ano 600 ) com o capítulo 8:13 (ano 601), o dilúvio durou um ano e 17 dias (382 dias). Na verdade, Deus só se comunicou mesmo com Noé, depois desse período, como está  no verso 17: - hebraico: ‘Va-iadaber Eloim él-NoáHR lemór’ ( “E falou Deus a Noé, dizendo”).
Entre as muitas lições, Noé foi treinado para depender unicamente de Deus e para confiar inteiramente n’Ele. É a fé que fica firme “como vendo o invisível” (Hebreus 11: 27-b). Quando estava no contexto do “acontece já”, apenas tinha um corvo “indo e voltando”, nada de concreto. Depois, literalmente, espera “o mover” do ‘sete mais sete”, mais ‘outros sete dias’, além dos 5 meses passados sem Deus se comunicar com ele, Noé, e sua família.
Temos de entender que o tempo de Deus é diferente do nosso. Ele não se atrasa nem se apressa, mas age no tempo certo que também se torna certo para nós!
No desenrolar do “lembrar” de Deus, vem forte treinamento de fé para todos: o saber esperar.
O segundo momento do “lembrar” de Deus está na compreensão do “seu não lembrar”. É maravilhoso pensar na capacidade ou faculdade que Deus tem de se esquecer dos nossos pecados confessados e nunca trazê-los à tona, sob hipótese alguma, e afirmar peremptoriamente: “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim e dos teus pecados não me lembro” (Isaías 43:25). É muito forte, impactante e consoladora a declaração de Deus: “Eu apago as tuas transgressões por amor de mim”. Sim, Deus coloca sua própria honra, glória e pessoa a nosso favor e ‘deleta’ cada pecado confessado e purificado no precioso sangue do Seu Filho (I João 1:7 e 9), em quem sua alma se compraz!  Deus, na sua misericórdia eterna (Salmo 25:6), tem a capacidade de “subjugar as nossas iniqüidades e lançar todos os nossos pecados nas profundezas do mar” (Miquéias 7:19).

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