Elcana o bom marido
Bispo Agnaldo Sacramento
1 - Se o homem se preocupa em ter uma boa companheira ou esposa, não muito menos a mulher, deve se preocupar também em ter um bom companheiro, um bom marido, aquele que há de ser o exemplar pai dos seus filhos. Nesta ordem de consideração é notável a oração que foi feita pela ainda jovem Ruth Bell (que tornou-se a Sra. Billy Graham) pedindo a Deus um esposo, percebendo-se na sua oração, propósitos nobres. E Deus honrou e satisfez o desejo do seu coração: “Querido Deus - eu orei sem receio; Não quero um belo homem. Mas que seja igual a ti; Não necessito de um homem grande e forte, nem muito alto, nem precisa ser um gênio, mas que seu rosto reflita caráter, severidade de alma, e que sua vida inteira mostre, querido Deus, uma sinceridade de objetivo”. (In B. Graham um Vaso Escolhido- C.P.B.- 1962).
2 - Contou-me a minha esposa da ênfase que deu a dedicada e sábia mulher cristã, irmã Tabita Kraus Pinto, falando à Ordem das esposas de Pastores Batistas do Estado de São Paulo, no sentido de que as mães orassem com muita antecedência pelos futuros esposos e esposas dos seus filhos. Na verdade, em se sabendo dos muitos problemas da família moderna, mais do que nunca, há necessidade de se intensificar oração neste sentido, pois quando se tem propósito e caminhos santos diante do Senhor, Ele mesmo satisfaz o desejo do nosso coração, Salmo 37:4.
3 - Se, se dá ênfase nas grandes mulheres da Bíblia como sábias esposas e mães à semelhança de Abigail, Priscila, Joquebede e muitas outras, não se pode também deixar de pensar em bons maridos e pais exemplares como Boaz (homem amoroso e compreensível), Isaque (homem paciente que orou 20 anos pela esposa que era estéril), Jó (homem sincero, reto, temente a Deus e que se desviava do mal) e, entre muitos outros, lembro agora de um que nem sempre é falado e lembrado, principalmente em cerimônia de casamento em nossas igrejas, ou seja, Elcana. Parafraseando Salomão em Provérbios 31:10, temos: “Marido virtuoso quem o achará? O seu valor muito excede o de rubis.” Pois bem, ELCANA, cujo nome quer dizer “Possessão de Deus”, tinha o seu valor excedente à pedra preciosa, conforme relato do capítulo 1º do 1º livro de Samuel.
4 - Num regime ou costume matrimonial aberto à poligamia, possuía Elcana duas mulheres: Penina (“pérola”) e Ana (“graça” ou caráter bondoso). E o costume de se possuir mais de uma mulher tornou-se generalizado mas nunca mandamento divino, conforme v.g., Deuteronômio 17:17. E ainda em Gênesis, Deus mesmo preparou uma adjutora (2:18). E em todo o Antigo Testamento, pode-se ver muitos conflitos familiares e a queda de muitos pela multiplicação de mulheres (Cf I Reis 11:3).
5 - Elcana também haveria de enfrentar a dissensão familiar motivada pela poligamia. Registra Samuel: “e Penina tinha filhos, porém Ana não tinha filhos” (v. 2b). Ora, para uma mulher naquele tempo, o não ter filhos por ser estéril era um opróbrio muito grande, tornando-se mais crítica a sua situação pelo que registra o verso 2: “E a sua competidora excessivamente a irritava para embravecer, porquanto o Senhor lhe tinha cerrado a madre”. Penina, por falta de sabedoria e numa acirrada competição familiar, não estava agindo como “pérola” e sim como “espinho” na vida de Ana!
6 - Que situação desagradável para Ana. Quanto sofrimento, quanta humilhação experimentou no seu dia-a-dia. Mas, havia uma boa alternativa, posto que, Elcana muito a amava. Não levou em consideração o fato de ser ela estéril e percebe-se a sua atitude em aceitá-la tal como era, num gesto louvável de preservar a comunhão matrimonial, e deixando o exemplo de ser um bom marido.
7 - E então, como se pode analisar ou entender Elcana como bom marido? Inicialmente se deve pensar na sua “técnica de abordagem”, procurando assim, harmonizar-se com uma mulher que vivia humilhada, atribulada de espírito, pois foi isso que haveria de confessar mais tarde a suplicante Ana (v.15). Assim é que, vendo Elcana o seu estado e que chorava muito e não comia, passou a falar-lhe e mansamente (e sem nenhum complexo de machismo), nestes termos: 1º) “Ana, por que choras”? 2º) “E por que não comes”? 3º) “E por que está mal o teu coração”? E, finalmente, em 4º lugar lança uma questão de alta indignação e desafio: “NÃO TE SOU EU MELHOR DO QUE DEZ FILHOS”? (V.8). Ora, se um filho era algo muito importante para uma mulher na sua condição de estéril, muito mais possuir 7 ou 10 filhos (ver Rute 4:15).
8 - Bem que Elcana, por exemplo, se não fosse um marido sábio, poderia dizer: “Ana, eu tenho colocado alimentos à sua disposição e você não quer comer, o problema é seu’”! Ele ainda poderia dizer: “Não dá pra viver com uma mulher assim esquisita”, etc. Não, agiu sabiamente como podemos perceber pela inteligente maneira como colocou ou formulou cada pergunta acima citada. Ademais, Elcana era homem piedoso e sabia cumprir os seus deveres espirituais “e subia com toda a sua casa a sacrificar ao Senhor o sacrifício anual e a cumprir o seu voto” (v.21).
9 - Ele, não era sacerdote, mas aquilo que chamamos hoje impropriamente (talvez por falta de uma melhor terminologia) de “leigo”. Elcana poderia receber homenagem póstuma na qualidade de modelo para os homens evangélicos e aos homens em geral, como um bom marido e bom líder espiritual no seu lar. Dele, poder-se-ia dizer: um homem de vida vertical (relacionamento com Deus) e horizontal (família e sociedade) equilibradas.
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