Era ilustre também na oração
Bispo Agnaldo Sacramento
Registra, em especial, o Antigo Testamento casos de homens e mulheres que, pela oração, mudaram o sentido dos seus próprios nomes, ou mudaram, por assim dizer, o curso natural das coisas. É evidente que o primeiro exemplo que nos ocorre é o de Jacó no vau do Jaboque, conforme registro Gênesis 32: 22-32. E, no caso das mulheres, um dos exemplos notáveis foi o de Ana, mudando sua situação de “mulher atribulada de espírito” (I Samuel 1:15) para ser uma mulher vitoriosa, conforme bem expressou no seu cântico de vitória (I Samuel 2:1ss)...
Mas, como é sabido, o Antigo Testamento não tem sido muito estudado e é na verdade o Antigo Testamento, um tesouro inesgotável de profundas e preciosas lições para a vida cristã, mormente quanto ao exercício da fé na vida de notáveis homens, quer nos momentos de vitória ou mesmo de fracasso, sempre lançando luz para nós hoje, “ pois tudo quanto dantes foi escrito, para o nosso ensino o foi”, Romanos 15:4.
Eis que surge no 1º livro de Crônicas, uma figura aparentemente apagada e humilde, como sempre acontece com os preciosos vasos de Deus. Pois bem, o seu nome é JABES. Sua biografia é muito pequena, conforme I Crônicas 4: 9-10.
Sua origem. Há muitas pessoas na Bíblia que aparecem abruptamente em cena, como foi o caso de Melquisedeque ou mesmo Elias, sem terem deixado detalhes biográficos, e o mesmo acontecendo com o nosso quase desconhecido JABES.
Ele mudou o sentido do seu nome!
Registra o texto sagrado: “E sua mãe chamou o seu nome JABES, dizendo: Porquanto com dores o dei à luz” (v9). Assim é que o seu nome denota “tristeza”, seu nome fala de dor e sofrimento, representando assim, uma situação real de dor e muito sofrimento que teve sua mãe. Mas, o mesmo verso supra citado diz que ele “foi mais ilustre do que seus irmãos”. Por certo, acendia no peito de JABES a necessidade de mudança do seu status quo. Ele não poderia ficar confinado ao estamento da sua situação. O seu sangue fervia, o seu coração palpitava desejando uma coisa nova e diferente. Assim sendo, com muita fé, coragem, habilidade e tenacidade dos que querem vencer, sobrepondo-se a situações naturais, JABES se dispõe a bombardear o Trono da Graça com oração. (Cf. Hebreus 4:16 e 10:19-22).
Ora, esse JABES foi realmente um homem notável. É identificado como alguém ilustre, vocábulo este pouco comum na Bíblia. E, não é em vão que encontramos em I Crônicas 2:55, o fato de uma cidade em Judá levando o nome de JABES. É a identificada cidade das “famílias dos escribas”, dos doutores. Tem-se a compreensão que JABES havia realizado alguma obra relevante ou mesmo algum ato patriótico para que uma cidade levasse o seu nome, como decorrência de uma gratidão comunitária.
O que pediu JABES na sua oração? O nobre, o culto, o estadista JABES, (pois assim requer o termo “ilustre”) fez uma oração contrastando com o seu nome e sua situação. É o que vemos em I Crônicas 4:10.
Primeiramente, ele “invocou o Deus de Israel”. Lemos em muitos lugares da Bíblia expressões como: “O Deus de Jacó” e o “Deus de Israel”. O Salmos 46 fala do Deus de Jacó, dos fracos, dos atribulados, mas é o mesmo Deus, também poderoso. O profeta Elias quando exigiu uma intervenção divina diante dos profetas de Baal, invocou o Deus de Israel: I Reis 18: 36. Outra lição que temos aqui: JABES invocou o Deus certo! Muitos judeus se envolveram com deuses estranhos ao longo da história bíblica e foram derrotados, porque não usaram o endereço certo na oração: Deus somente!
JABES queria ser abençoado por Deus mesmo, e também exigiu alargamento de fronteiras. Tudo indica que conhecia o princípio estabelecido em Êxodo 34:24a: “Porque eu lançarei fora as nações de diante de ti e alargarei o teu termo”. As terras eram habitadas pelos filisteus e assim fez opção por uma vitória através do Deus de Israel!
Ainda pediu que o Senhor o preservasse do mal, “de modo que não me sobrevenha aflição”, como diz a versão atualizada. Ele não queria ser um homem aflito como indicava o seu nome e, sabia que “a fé remove montanhas”, e portanto, Deus poderia mudar o sentido do seu próprio nome e das coisas naturais, dando-lhe Deus prosperidade em tudo.
“E Deus lhe concedeu o que tinha pedido” (v.10b). Aqui há de se perguntar: Em que Escola de Oração era JABES formado? Onde ele aprendeu princípios de fé para mudar o quadro das circunstâncias normais?
De fato, tem a “Escola de Oração” poucos alunos. Muitas vezes, nós os cristão, não sabemos usar com propriedade e seriedade a arma da oração. Também nos esquecemos que toda oração ousada, tem à sua frente obstáculos mil. Ora, a lição de JABES era sui generis por força do seu próprio nome e por habitar no meio dos cananeus, inimigos ferinos de Israel, mas como é sabido, a fé não olha para os obstáculos ou circunstâncias adversas, mas conta tão somente com Deus e assim prospera.
Que a vida do ilustre JABES sirva de desafio permanente a todos nós, principalmente em assunto de fé e oração. E que o Senhor também conceda o desejo do nosso coração sintonizado com a Sua santa vontade, pois “esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé”, I João 5:4.
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