Um mundo mais fraterno
Bispo Agnaldo Sacramento
Sempre há entre os homens o ideal de fraternidade e companheirismo. Disse Rui Barbosa: “Dilatai a fraternidade cristã, e chegareis das afeições individuais às solidariedades coletivas, da família à nação, da nação à humanidade”. Ainda no Éden, registra o texto sagrado: “Não é bom que o homem esteja só”. Séculos mais tarde, vem a declaração do filósofo Aristóteles identificando o homem como ´zoon politikon’ que Sêneca traduziu como “Sociale animal”, ser político, gregário e social. O homem não foi feito para odiar, pois isso, se tornaria uma doença para sua alma, suas emoções e sentimentos. O ser humano só é feliz quando ama e expressa esse amor através da mão estendida para o próximo. Sim, Deus nos fez com um coração que só é feliz se amar. Assim, sonha-se sempre com um “admirável mundo novo” onde se possam estabelecer realmente a paz, a fraternidade e o amor entre os homens; onde se possa realizar aquilo que foi vaticinado pelo profeta estadista Isaías e a ONU, a Organizações das Nações Unidas, usa como alvo-desafio: “Porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do SENHOR. E Ele exercerá o seu juízo sobre as Nações e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças, em foices; não levantará espada Nação contra Nação, nem aprenderão mais a guerrear” (Is 2:3,4).
Especificamente no Brasil, o ponto marcante de maior comunhão ou fraternidade entre todos ocorre por ocasião da Copa de Futebol do Mundo, especialmente quando o Brasil tem boa expectativa de vencer e não está de salto alto. Tem-se, literalmente, a já citada “pátria de chuteira”. Outro evento marcante, como ocorre em quase todas as Nações, é o período identificado como natalino. Tudo é festa e alegria. Um exemplo inicial disso é evidenciado pelos nossos indispensáveis Garis, os homens do recolhimento do lixo. Buzinaço e gritos alegres anunciam a festa natalina e festejos do fim do ano e eles querem retribuição de expressiva caixinha.
De fato, as comemorações natalinas e os festejos de fim de ano levantam “o astral” das pessoas. Há mais cumprimentos, sorrisos e confraternização nos diversos segmentos da sociedade e em todos os lares, praticamente, há alguma coisa para se comemorar e, os mais abastados se preocupam com as crianças e sacolas de brinquedos circulam e tudo diz que é Natal.
Deve-se pontuar que o aniversariante das comemorações natalinas é quase sempre esquecido. Aliás, desde Sua vinda ao mundo, registra o Evangelista Dr. Lucas que Maria “deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem” (a oficial) Lucas 2:7.
É conveniente lembrar que rigorosas pesquisas bíblicas e históricas provam que o nascimento de Jesus, que veio com a missão de ser o Salvador dos homens, ocorreu no mês de outubro, partindo do nascimento de João, o Batista, (mês de abril) e dos turnos sacerdotais, seis meses depois nasceria Jesus. Mas o fator data não é o mérito principal e sim os verdadeiros objetivos da Sua vinda como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” conforme disse João, o Apóstolo do Amor. Sabiamente, a Jovem Pan afirma sempre: “Natal feliz é Natal com Cristo”.
Que possamos refletir no registro do Evangelista Lucas que “não havia lugar para o nascimento de Jesus na estalagem oficial” e façamos do centro do nosso coração (e não dos seus cantos), o lugar principal para Jesus, pois diz Ele mesmo em Apocalipse 3:20 “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo”.
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