
Vitória, apesar do temor
Bispo Agnaldo Sacramento
A História Universal traz exemplos extraordinários de homens e mulheres de valores imensuráveis. Pessoas valentes, corajosas e determinadas que venceram e deixaram grandes feitos. Uma linda canção indiana já diz: “Quem tem a verdade e a coragem no coração, no final, sempre vence”. E o maior sociólogo do século XX, Max Weber, fez duas conferências: “A Política como vocação” e “A Ciência como vocação”, pondo o papel da paixão como ingrediente indispensável a ambas. O político deve ser apaixonado por aquilo que faz, distinguindo-se do homem medíocre, daquele que age dentro do binômio ”oportunidade e conveniência”, o oportuno relativo. Weber, no seu livro “Ciência e Política - Duas Vocações”, fala das qualidades indispensáveis ao Político: a Paixão, o Senso de Responsabilidade e o Senso das Proporções.
O seu conceito de paixão, no sentido de realizar, é devoção apaixonada por uma causa; quanto ao “senso de responsabilidade”, diz: “Quando se põe a serviço de uma causa, sem que o correspondente sentimento de responsabilidade se torne a estrela polar determinante da atividade, ela não transforma um homem em chefe político”. Quanto ao “senso de proporção” é a qualidade psicológica fundamental do homem político” “.A faculdade de permitir que os fatos ajam sobre si no recolhimento e na calma interior do espírito manter à distância os homens e as coisas “.
De um modo geral, a identificada paixão pública está fora de moda; o que há por aí de acentuada dedicação é a vivida pelos fanáticos terroristas e similares.
O destacado político, o estadista Sir. Winston Churchill, era um homem apaixonado pelo que fazia, como se pode deduzir pelas diversas circunstâncias históricas que o envolveram, durante a Segunda Guerra Mundial. Hitler já dominava toda a Europa Ocidental. A França estava vencida bem como a Checoslováquia, a Polônia, a Noruega, a Holanda e a Bélgica, sob o poder do perverso Adolf Hitler. Os Estados Unidos, sem o “admirável intervencionista” e guerreiro Bush, estavam ainda quedados.
O mundo já se esperneava na expectativa de mais uma loucura do Fúh'rer desvairado. De repente, eis que as estações de rádio divulgavam, para todo o mundo, as palavras corajosas de um homem apaixonado, perante a Câmara dos Comuns, no dia 13 de maio de 1940: “Perguntais qual é nossa meta? Posso responder-vos com uma única palavra: Vitória a todo custo, vitória apesar do temor, vitória; não importa quão difícil e comprido seja o caminho, pois sem vitória não há sobrevivência. Nada tenho para vos oferecer a não ser sangue, trabalho, suor e lágrimas”.
Duas semanas após o curto e corajoso pronunciamento, Churchill volta a dizer: “Embora vastas regiões da Europa e muitos antigos e famosos Estados hajam caído ou cairão nas garras da GESTAPO, não haveremos de flanquear nem ceder. Prosseguiremos até o fim. Pelejaremos na França, nos mares e nos oceanos, pelejaremos com confiança e força crescente no ar. Pelejaremos nas praias, pelejaremos nos pontos de desembarque, nos campos, nas ruas, pelejaremos nos corredores. Jamais nos renderemos”.
Certo pregador disse: “Quando o caminho se fizer resistente, faça-o com resistência”. Nem sempre avaliamos que os piores momentos da vida poderão ser transformados nos melhores. As tribulações, as provações, as tristezas e, até mesmo, o luto, nada disso será para sucumbir as pessoas e levá-las ao terror, ao desânimo ou mesmo ao suicídio. Há situações de crises existenciais insuportáveis como se o mundo estivesse desabando sobre a nossa cabeça, mas a fé de coragem precisa ser mantida. E não há força maior de encorajamento como aquela que vem da Palavra de Deus: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Filipenses 4:13). “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”. (João 14:27).
. E-mail: alsacramento@uol.com.br
.
|